Tiago Leifert

O avião da mudança

Posted by Thales Barreto on agosto 24, 2010
Brasil, Jornalismo, Mídia e Comunicação, Notícia, Opinião, Política, Televisão / No Comments

Desde 2002 a TV Globo exibe o show de realidade Big Brother Brasil. Seu apresentador, Pedro Bial, largou o comando do jornalístico Fantástico para comandar a atração. Ao final de cada edição o selo da Central Globo de Jornalismo era, e ainda é, exibido. Talvez tenha sido ali a primeira mistura de jornalismo e entretenimento.

Anos depois o filho de um diretor global assume o comando de um programa de esportes com o intuito de “modernizar”, “rejunevescer” o programa, rotineiramente derrotado pelo mofado Chaves. Tiago Leifert sofre no início, mas consegue quebrar a resistência do público e vulgariza a informação esportiva, chegando ao cumulo de encerrar um programa “jornalístico” cantando um funk em homenagem a determinado atleta.

Porém o JN seguia intacto. No começo de 2010 o público começou a perceber que o casal Willian / Fátima estavam mais soltos na bancada. Começava ali um processo de informalidade perigosa. Essa “revolução” que passa o jornalismo da globo tomou novas cores na última segunda-feira.

Conheça o projeto JN no Ar:

Direto de Macapá William Bonner não apresentou um jornalístico, mas comandou um show. Era lançamento do que seria uma grande série de reportagens mostrando vários pontos do país seus problemas e seus anseios, o JN no Ar. Mas a informação foi tratada com vulgaridade ímpar.

Ao estilo Sílvio Santos a matéria especial virou show de Realidade. Só faltou Boninho e a Central Globo de Produção aparecerem ao final do Jornal Nacional. O destino do jatinho patrocinado pelo Banco Bradesco (o mesmo banco que gerou a demissão de Joelmir Beting em 2003) foi sorteado ao vivo pelo âncora. Ao fundo gritos da multidão enlouquecida com a celebridade.

O patrocínio na cauda do avião não me incomoda, o que me perturba é a espetacularização feita para o lançamento de uma série de reportagens especiais. Essa reportagem faz parte de um pacote de matérias sobre as eleições, será que uma certa seriedade não é necessária? Será que o jornalismo global se rendeu a vulgarização da notícia proposta por Tiago Leifert?

O jornalismo global mudou, não precisamos mudar com ele.

Thales Barreto

Foto: Site Oficial

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Dunga x Escobar: Uma chance ao Jornalismo

Posted by Thales Barreto on junho 22, 2010
Copa do Mundo, Jornalismo, Mídia e Comunicação, Notícia, Opinião, Televisão / 5 Comments

No último domingo o Brasil enfrentou a seleção da Costa do Marfin e ganhou de 3 a 1, leia sobre o jogo. Porém na coletiva de imprensa o técnico Dunga voltou a atacar gratuitamente a imprensa. Dunga não está acostumado com as críticas e acaba partindo para o confronto sempre que um microfone lhe aparece na frente. A vítima do domingo foi Alex Escobar, jornalista do grupo Globo.

Já comentei aqui meu desgosto com a ausência de jornalismo que existe das coberturas esportivas da Globo. Na Copa do Mundo a emissora dos Marinho enviou torcedores, ao invés de jornalistas, para fazer sua cobertura. No Brasil o humorista Tiago Leifert comanda o circo, ou melhor a Central. O esporte é tratado como mero entretenimento, ao invés de receber a importância política, social e econômica que devia. Mas a Globo acha que ser crítico é ser chato, e ser sério é ser carrancudo. Felizmente não funciona assim.

Matéria do Fantástico sobre o desentendimento entre Dunga e Escobar:

A Globo adotou um tipo de jornalismo cego que não via, até então, os chiliques do técnico. Dunga, agora travestido de general, não conseguiu curar as feridas abertas vinte anos atrás. É mesquinho com a imprensa, faz questão de tratar mal, de boicotar, de limitar a informação. Fez da concentração da seleção um quartel general e agora atingiu a Globo, mesma emissora que no dia 11 de maio foi dar uma entrevista exclusiva sobre sua lista de soldados.

Agora, quando o mau humor do general Dunga bate a porta da Globo, o povo, o mesmo acostumado a ver Leifert fazer rap, esbraveja contra o guerreiro vendedor de cerveja. Será que após esse tapa na cara dado por Dunga os torcedores globais serão mais jornalistas e menos macacos de auditório? Será que o bom jornalismo ganhará espaço? Ou o circo do humorista Leifert continuará reinando, fazendo humor disfarçado de informativo para entreter nosso povo mediocre?

Thales Barreto

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Jornalismo esportivo ou entretenimento esportivo?

Posted by Thales Barreto on abril 19, 2010
Brasil, Futebol, Jornalismo, Mídia e Comunicação, Notícia, Opinião, Televisão / 2 Comments

Armando Nogueira, falecido em março último, tratava o futebol com poesia. De seu cérebro privilegiado sairam crônicas de se encher os olhos. Porém o amante do esporte não conseguiu passar para as gerações atuais a seriedade com que o tema precisa ser tratado. Claro que não precisa ser a seriedade de um colunista de economia, mas também não pode ser tratado como um cadáver em um programa policial.

O esporte movimenta bilhões de dolares por ano. Envolve a emoção de pessoas de qualquer classe social. Paralisa países em grandes finais. Qual o motivo que estaria levando o jornalismo esportivo para um lado triste? O que esta ocorrendo para que o jornalismo esportivo brasileiro se torne um palhaço melancólico?

No desespero após sofrer anos com uma turma de mexicanos a TV Globo resolveu investir em um programa esportivo mais leve para o horário do almoço. Não que o problemático Globo Esporte não fosse rápido, 30 minutos, mas ele precisava chamar a atenção. Outro programa também da mesma emissora vinha sofrendo com a saída do veterano Léo Batista. “Os gols do fantástico” precisava de uma reformulação, de algo que movimentasse o público.

Com isso a TV Globo começou a tratar o jornalismo esportivo como entretenimento. É por isso que hoje Tiago Leifert apresenta o Globo Esporte São Paulo. Já que para o resto do país é feito um programa similar porém mais abrangente. Após sofrer em seu início o programa “estabilizou” e conseguiu uma folga na liderança de audiência.

Já o Fantástico, pelas mãos de Tadeu Schmidt, criou quadros e transformou os gols da rodada em espetáculo circense, inclusive com direito a musical brega. Perde-se em qualidade ganha-se em audiência. Não pensar é fundamental. Infelizmente a maneira “não jornalistica” de se falar de esporte contaminou outros produtos da emissora, como os canais pago SporTV e PFC. Esse último com sérias deficiências em suas transmissões.

Em contrapartida temos a revista Trivela, muito superior a concorrência e na televisão fechada a ESPN mostrando que se pode falar de todos os esportes de uma maneira não circense e também não “jornalismo de economia”. O meio termo consegue ser sério e leve. Infelizmente o leitor de Trivela e o telespectador de ESPN precisam ligar o cérebro na tomada. Aposto que Armando optaria pelo canal concorrente ao qual trabalhou.

Thales Barreto

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