Desde a última segunda-feira o SBT está exibindo o programa infantil Férias com Patati Patatá a partir das 18h 15, horário onde até a última semana era apresentado o programa Chaves. Na sequência a emissora exibe o telejornal SBT Brasil.
O único problema nessa composição da grade da emissora é a grande diferença na faixa etária entre o público alvo de cada programa. Enquanto Patati e Patatá fazem sucesso entre crianças com menos de 10 anos, o público alvo do jornalístico é adulto.
O auge desse conflito foi atingido na quarta-feira, quando durante um intervalo do infantil a âncora do jornal anunciou uma matéria sobre um casal de jovens que foram filmados fazendo sexo oral em uma escola paraense. [Link]
Pessoas ficaram revoltadas com a exibição da chamada durante o programa dos palhaços. Tudo isso poderia ser evitado com uma grade mais organizada, mesmo em um momento de transição. Não podemos transformar isso no fim do mundo, mas a emissora deve tomar mais cuidado da próxima vez.
O programa Domingo espetacular da TV Record exibiu ontem (27) uma matéria sobre a divulgação de vídeos em que jovens da pequena cidade de Bom Retiro do Sul (RS) aparecem fazendo sexo ou em poses sensuais. A pequena cidade de 12 mil pessoas está chocada com as gravações.
Essa reportagem deve servir de alerta para as autoridades, não simplesmente pelo fato de punir quem divulgou os vídeos com as menores, mas pela necessidade de termos políticas para a educação no uso da web. Se faz necessário educar as pessoas para os perigos da rede e isso deve ser feito com campanhas do governo e com educação em casa e nas salas de aula.
É a velha história do travesseiro de penas, uma vez espalhado fica impossível recolher todas. Algo publicado na web não sairá mais do ar. É fundamental que as pessoas tenham conciência do que estão colocando na rede, de como estão usando a ferramenta. As gravações sempre aconteceram e sempre vão acontecer, a divulgação delas na rede pode ser evitada com educação.
Domingo, 25 de Julho de 2010. Dois adolescentes jogam cartas online. Durante a partida fazem uma aposta: Se a menina de 14 anos perdesse ela teria que ir até a casa do menino de 16 anos para se exibirem via internet. Eles se conhecem há duas semana. Ao perder a partida a garota vai até a casa do menor e é recebida pela mãe do adolescente, que deixa os dois sozinhos na sala e vai dormir. Por volta da meia noite começa a exibição que é assistida ao vivo por mais de 26 mil pessoas. Carícias íntimas são trocadas até o vídeo ser denunciado para um delegado gaúcho.
O vídeo é copiado e disseminado na internet. Emissoras de televisão começam a cobrir o acontecido. O garoto grava e posta outro vídeo pedindo desculpas pela atitude que teve. A polícia passa a investigar o caso, escuta os adolescentes e vai atrás de quem baixou o vídeo com os menores.
Em uma sociedade dominada pela superexposição, como impor limites, como fazer com que jovens e adultos saibam preservar sua intimidade? O que motiva as pessoas a abrir a câmera e se exibirem para milhares de pessoas? Teria alguma ligação entre elementos culturais e o comportamento humano?
Sabemos que o exibicionismo não nasceu com a internet, ele é apenas um comportamento humano. A rede e as suas possibilidades somente potencializaram e apresentaram ao mundo o que antes era feito de maneira escondida. A curiosidade humana não nasceu com a web, apenas se utilizou dela para suas descobertas, inclusive as sexuais.
O sexting é um comportamento que tem crescido entre os jovens e isso eleva o medo da ampliação da “pornografia infantil”. Educar para a web é um passo importante para que a imagem do menor seja preservada. Evitar esse tipo de comportamento é complicado, mas informar e tentar resguardar o menor é importante.
A exibição via internet não começou com a TwitCam. O problema vem desde os primórdios da web. Das salas de bate-papo para o msn, as fotos sensuais em fotologs posteriormente Orkut e agora as câmeras do Twitter.
Fotologs
Os Fotologs surgiram no começo da década de 2000 e se popularizaram como diários virtuais onde o principal era a publicação de fotos. Chegou timidamente a rivalizar com os blogs. Os fotologs perderam força com o surgimento de redes sociais como o Orkut. Os jovens deixaram de se exibir em seus diários fotográficos para utilizarem a rede social do Google, local onde todos seus contatos estavam.
Os shows no MSN
O exibicionismo também ocorria nos chats, salas de bate papo virtual, onde o exibicionista passava seu endereço de comunicador instantâneo, geralmente MSN, e ao aceitar os convites abria a camera para “shows” particulares.
O que é o twitter?
Twitter é uma rede social criada em Março de 2006 e tem como objetivo a troca de mensagens com até 140 caracteres. A finalidade vai desde uma simples conversa entre pessoas até a troca de informações e links, passando por uso publicitário e político.
O que é a TwitCam?
Twitcam é uma ferramenta que permite aos usuários transmitirem vídeos ao vivo através da câmera de seu computador. Sites de streaming existem há vários anos na internet com os mais diversos usos. A popularização da Twitcam deriva do grande volume de pessoas que passaram a utilizar o Twitter nos últimos 12 meses.
O que é Sexting?
Sexting é a divulgação de mensagens (texto, foto ou vídeo) através de celular ou internet de conteúdo erótico geralmente produzido pela pessoa que está enviando. Esse comportamento tem ganho adeptos entre os adolescentes. Com isso a preocupação do estímulo a pornografia infantil cresce.
O assunto de tecnologia da semana passada foi o casal de adolescentes gaúchos que trocaram caríciais via TwitCam. Exatamente uma semana depois alguns jogadores do Santos Futebol Clube, que decide a Copa do Brasil nesta quarta-feira, também usaram a ferramenta de transmissão de vídeo com chat para causarem baderna na rede. Mas existe algo de novo nisso?
A ascensão do Twitter no Brasil ocorreu em 2009, embora a rede social exista desde 2006. Os chats surgiram nos primórdios da internet e as transmissões de vídeo via web não são novas. Ferramentas como a Justin.tv, Ustream, Qik entre outras existem já há algum tempo. Então por que o TwitCam, da Livestream, virou febre para quem quer se expor na rede?
A facilidade da integração do Twitter com o TwitCam propicia ao usuário um nível de interação maior do que os canais isolados que haviam até então. Porém é necessário saber que essas ferramentas já habitam a rede a algum tempo o que demonstra que precisamos educar os jovens para os usos dessas ferramentas.
As trocas de carícias íntimas protagonizadas pelo casal de adolescentes gaúchos é falta de algo que a tecnologia não substitui. Se educassemos nossos jovens para o uso dessas novas possibilidades de relacionamento humano teriamos menos exposição descontrolada na rede.
Que ações práticas o governo federal está tomando? Tirar internet por um mês da adolescente gaúcha educa? E que imagem os jogadores santistas deixam para os fãs? Por que os adolescentes de hoje buscam seguidores a qualquer custo? Infelizmente nesta semana temos mais perguntas que respostas.
Um caso vem chamando a atenção no Rio Grande do Sul. Dois jovens de 14 e 16 anos teriam se exibido no site TwitCam na madrugada do último domingo. O vídeo seria uma aposta entre os adolescentes que se conheciam a menos de um mês. A polícia gaúcha investiga o caso e está atrás de 3 mil internautas que teriam baixado o video, que no domingo foi visto por 26 mil pessoas.
O vilão...
Isso mostra que precisamos agir rápido e começar a pensar em como educar as pessoas para a internet, ensinar a cuidar de sua imagem, preservar a intimidade além de resgatar valores que perdemos no meio do caminho. A internet não é uma terra sem leis e o virtual sempre interfere no real.
Sobre a polícia ir atrás dos 3 mil internautas curiosos que baixaram o vídeo é no mínimo bizarro, já que esses 3 mil provavelmente não “participaram” do vídeo, enquanto outras 26 mil pessoas, que viram os jovens no domingo, parece que irão ficar impunes. E mais o vídeo pode ser compartilhado de diversas maneiras – msn, emails… O saco de penas voou, agora é impossivel juntar. Se os jovens tivessem consciência do que estavam fazendo as coisas seriam bem diferentes.