O Grêmio realizou alguns meses atrás uma carreata, saindo do seu tradicional estádio Olímpico Monumental, em direção ao seu novo endereço na Zona Norte da Capital próximo ao aeroporto Salgado Filho. Ele estava ali enterrando seu estádio. O que vou contar são cacos de lembranças, mas que fazem algum sentido.
Eu nasci em 1986, o estádio Olímpico teve sua obra iniciada em 1954, mas a ampliação do estádio terminou em 1980, aí ganhando o nome de Olímpico Monumental.

Da minha primeira visita ao Monumental, pouco lembro. Segundo minha mãe eu tinha uns 3 ou 4 anos. Ela nunca me deixou esquecer que tinha assinado (sim eu já sabia escrever meu nome) no caderno de visitas do Museu do Estádio. No mesmo dia eu visitei o campo do inimigo, mas as fotos, por alguma explicação divina, queimaram.
Meu primeiro jogo no Olímpico foi no dia 31 de março de 1995. Grêmio e Emelec se enfrentavam pela primeira fase da Libertadores. O tricolor ganhou de 4 a 1, e viria a se classificar em segundo do grupo atrás do Palmeiras, time que eliminaria em uma das fases seguintes. Chegando ao bicampeonato contra o América de Medelín.

Meu lugar foi atrás do Gol do lado esquerdo das cabines de televisão. Estava eu (com 8 anos), meu pai (colorado) e a mãe de uma amiga dos meus pais (gremista). A imagem que eu tenho é daquele setor praticamente vazio. Lembro do Magno entrando no jogo com a mão enfaixada, lembro vagamente dos gols e não lembro de comemorar. É um detalhe meu, eu não grito, não levanto… Apenas dou um sorriso, talvez a multidão me deixe encabulado, enfim…
Não foi emocionante, não foi grandioso. Passei anos sem ir ao estádio. Voltei a frequentar, muito raramente em 2002, quando vim morar em Porto Alegre. Mas em 2003 a péssima campanha do time me fez parar de ir ao Monumental. A minha última partida foi nas cadeiras centrais, vendo um melancólico Grêmio e Bahia. Um empate com gols, mas sem brilho.
Depois do “jogo do centenário” me recusei a ir ao templo. O time caiu para a série B, foi finalista de uma Libertadores. Ganhou alguns estaduais, perdeu outros. E eu passei mais de sete anos sem ir a minha casa que fica menos de 15 minutos, de a pé, da minha residência. Mas eu voltei. Não para ver o time azul entrar em campo. Fui ver como ela estava. Não foi um momento feliz. O estádio estava abandonado, com uma marcação de lugares vulgar…

Hoje, lendo o texto sobre a demolição do Maracanã, me emocionei. Como disse no início, o Grêmio vai mudar de casa e o Monumental vai virar um conjunto habitacional. Aquele pedaço de concreto que eu me sentei aos 8 anos de idade vai deixar de existir. Vão ficar esses cacos. E as Glórias.
Thales Barreto
Fotos: Site Oficial/ Grêmio