Educação

A língua suja

Posted by Thales Barreto on maio 22, 2011
Brasil, Cultura, Opinião, Sociedade / No Comments

Que língua a escola deve ensinar? Esse questionamento não é novo, porém, há alguns dias, ele veio à tona de forma forte e explosiva quando um vídeo denominado “Escritores riem da tese da Globo sobre língua popular e livros didáticos errados” ficou entre os mais vistos do site youtube. Além disso, a coluna Sua Língua, do Jornal Zero Hora, assinada por Cláudio Moreno, trouxe um artigo publicado no IEL de 2005 com o mesmo questionamento: que língua a escola deve ensinar?.

Pensei muito antes de me pronunciar e dizer o que penso e o pouco que sei, mas, nos dias de hoje, é preciso força e coragem para dizer o que se pensa. Eu, que não sou ninguém, venho contrariar a Globo com seus jornalistas de meia tigela, que não têm a mínima noção de Linguística e também um professor – normativo – tão conceituado no Rio Grande do Sul, que faz com que ele tenha, inclusive, a coluna no jornal Zero Hora.

O trecho do jornal, que ficou com grande acesso, começa com uma matéria citando um livro didático, que foi distribuído para mais de quatro mil escolas, em que a autora diz que falar “os livro” é permitido, mas que a pessoa sofre o risco de sofrer preconceito linguístico. Em seguida, o cenário muda e, dentro de um estúdio, a “jornalista” pergunta aos professores “mas é uma gramática certa ou uma gramática errada?”. Juro que quando ouvi esse questionamento, quase fechei o vídeo e saí de frente do computador. Mas a minha curiosidade para saber quantas asneiras ainda seriam possíveis foi maior e eu assisti. Felizmente, os professores riram da jornalista. Acho que ficaram abismados com a falta de preparo daquela profissional. Acho, também, que ficaram com uma certa “pena” dela, pois seria muito mais fácil eles serem extremamente estúpidos e dizerem o que realmente acham e sabem. Como dois homens educados que são, falaram de forma muito sutil. Enquanto isso, aparece escrito na tela: “a língua falada deve seguir as normas da escrita?”. Mais uma vez pensei em desistir.

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Falta educação para o uso da web

Posted by Thales Barreto on março 28, 2011
Opinião, Rio Grande do Sul, Sociedade, Tecnologia e Internet / No Comments

O programa Domingo espetacular da TV Record exibiu ontem (27) uma matéria sobre a divulgação de vídeos em que jovens da pequena cidade de Bom Retiro do Sul (RS) aparecem fazendo sexo ou em poses sensuais. A pequena cidade de 12 mil pessoas está chocada com as gravações.

Veja a matéria da TV Record

Essa reportagem deve servir de alerta para as autoridades, não simplesmente pelo fato de punir quem divulgou os vídeos com as menores, mas pela necessidade de termos políticas para a educação no uso da web. Se faz necessário educar as pessoas para os perigos da rede e isso deve ser feito com campanhas do governo e com educação em casa e nas salas de aula.

É a velha história do travesseiro de penas, uma vez espalhado fica impossível recolher todas. Algo publicado na web não sairá mais do ar. É fundamental que as pessoas tenham conciência do que estão colocando na rede, de como estão usando a ferramenta. As gravações sempre aconteceram e sempre vão acontecer, a divulgação delas na rede pode ser evitada com educação.

Thales Barreto

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Sexting: Privacidade e comportamento

Posted by Thales Barreto on agosto 31, 2010
Brasil, Opinião, Sociedade, Tecnologia e Internet / No Comments

Domingo, 25 de Julho de 2010. Dois adolescentes jogam cartas online. Durante a partida fazem uma aposta: Se a menina de 14 anos perdesse ela teria que ir até a casa do menino de 16 anos para se exibirem via internet. Eles se conhecem há duas semana. Ao perder a partida a garota vai até a casa do menor e é recebida pela mãe do adolescente, que deixa os dois sozinhos na sala e vai dormir. Por volta da meia noite começa a exibição que é assistida ao vivo por mais de 26 mil pessoas. Carícias íntimas são trocadas até o vídeo ser denunciado para um delegado gaúcho.

O vídeo é copiado e disseminado na internet. Emissoras de televisão começam a cobrir o acontecido. O garoto grava e posta outro vídeo pedindo desculpas pela atitude que teve. A polícia passa a investigar o caso, escuta os adolescentes e vai atrás de quem baixou o vídeo com os menores.

Em uma sociedade dominada pela superexposição, como impor limites, como fazer com que jovens e adultos saibam preservar sua intimidade? O que motiva as pessoas a abrir a câmera e se exibirem para milhares de pessoas? Teria alguma ligação entre elementos culturais e o comportamento humano?

Sabemos que o exibicionismo não nasceu com a internet, ele é apenas um comportamento humano. A rede e as suas possibilidades somente potencializaram e apresentaram ao mundo o que antes era feito de maneira escondida. A curiosidade humana não nasceu com a web, apenas se utilizou dela para suas descobertas, inclusive as sexuais.

O sexting é um comportamento que tem crescido entre os jovens e isso eleva o medo da ampliação da “pornografia infantil”. Educar para a web é um passo importante para que a imagem do menor seja preservada. Evitar esse tipo de comportamento é complicado, mas informar e tentar resguardar o menor é importante.

A exibição via internet não começou com a TwitCam. O problema vem desde os primórdios da web. Das salas de bate-papo para o msn, as fotos sensuais em fotologs posteriormente Orkut e agora as câmeras do Twitter.

Fotologs

Os Fotologs surgiram no começo da década de 2000 e se popularizaram como diários virtuais onde o principal era a publicação de fotos. Chegou timidamente a rivalizar com os blogs. Os fotologs perderam força com o surgimento de redes sociais como o Orkut. Os jovens deixaram de se exibir em seus diários fotográficos para utilizarem a rede social do Google, local onde todos seus contatos estavam.

Os shows no MSN

O exibicionismo também ocorria nos chats, salas de bate papo virtual, onde o exibicionista passava seu endereço de comunicador instantâneo, geralmente MSN, e ao aceitar os convites abria a camera para “shows” particulares.

O que é o twitter?

Twitter é uma rede social criada em Março de 2006 e tem como objetivo a troca de mensagens com até 140 caracteres. A finalidade vai desde uma simples conversa entre pessoas até a troca de informações e links, passando por uso publicitário e político.

O que é a TwitCam?

Twitcam é uma ferramenta que permite aos usuários transmitirem vídeos ao vivo através da câmera de seu computador. Sites de streaming existem há vários anos na internet com os mais diversos usos. A popularização da Twitcam deriva do grande volume de pessoas que passaram a utilizar o Twitter nos últimos 12 meses.

O que é Sexting?

Sexting é a divulgação de mensagens (texto, foto ou vídeo) através de celular ou internet de conteúdo erótico geralmente produzido pela pessoa que está enviando. Esse comportamento tem ganho adeptos entre os adolescentes. Com isso a preocupação do estímulo a pornografia infantil cresce.

Sugestões de leitura:

- (G1) Adolescentes aderem ao ‘sexting’ e postam fotos sensuais na internet.

- (Safernet) Sexting: não caia nessa.

- (Folha) Fotos e vídeos caseiros de momentos íntimos na web surpreendem vítimas.

Thales Barreto

Infográfico: G1

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Formandos em jornalismo 2009/2 – Discurso do Paraninfo

Posted by Thales Barreto on janeiro 30, 2010
Cultura, Jornalismo, Mídia e Comunicação, Opinião, Porto alegre, Rio Grande do Sul / 2 Comments

Esse foi o discurso da formatura de jornalismo da Famecos/PUCRS em 29.1.2010. Em virtude do nervosismo e de um leve improviso irresistível na hora, algumas coisas estão levemente diferentes, mas é por aí.
Muito obrigado por tudo, sempre.

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Magnífico Reitor da PUCRS – Professor Doutor Joaquim Clotet / aqui representado pela Excelentíssima Senhora Diretora da Faculdade de Comunicação Social / Professora Doutora Mágda Cunha
Excelentíssima Coordenadora do Curso de Jornalismo desta Casa, Professora Doutora Cristiane Finger
Excelentíssimos Professores que compõem o Corpo Docente desta Instituição, alunos, pais e amigos, boa noite.

Antes de conversar um pouco com os novos colegas, gostaria de agradecer por estar aqui, e ao mesmo tempo, compartilhar com o corpo docente o mérito dessa escolha. É a primeira vez e justo 10 anos depois da minha formatura, quando também recebi o troféu “Troféu São Marcelino Champagnat”. Meu eterno carinho e respeito para vocês, é uma responsabilidade imensa, e pensar o que conversar hoje foi uma pauta difícil. A terça-feira do apitaço nunca será esquecida, e até hoje não entendo como vocês guardaram o segredo por tanto tempo. No estilo dos encontros da sala 107 e 108, sem Dreamweaver, vamos conversar um pouco.

O primeiro pensamento que compartilho é sobre nossa futura conduta. Vivemos um tempo único para a comunicação. Grandes estruturas são colocadas em xeque, empresas tradicionais compram o passe de jovens famosos no YouTube e resumimos o mundo a 140 caracteres, como o pessoal faz agora no Twitter. Observamos na prática a sinergia entre as possibilidades do virtual que alteram o real. São espaços complementares, não opostos, e carecem mais do que nunca de informação de qualidade para o público. Ainda encontramos profissionais que confundem isso e, por tabela, a população, que aprende sobre o online conosco.

A velocidade do meio digital altera o processo da comunicação e nós erramos sobretudo ao tentar ganhar a atenção e, principalmente, a compreensão do público. Diante da pluralidade de espaços para comunicar – e não apenas mais falar sem ouvir ou esquecer o outro lado do processo – a busca pela atenção beira o ridículo e esquece preceitos básicos que o juramento antes recordou. É fácil brilhar muito e ganhar a audiência de maneira fútil e na contramão do correto, enquanto infelizmente o básico de informar e entreter de forma sadia tornou-se difícil.

10 anos atrás, quando estava aqui na minha formatura, os jornalistas ainda sonhavam com um receptor ativo e que conversasse diretamente conosco. Pois bem, vivemos na sociedade da participação e fazemos do sonho um pesadelo ao negligenciar que o fluxo mudou ou ao oferecer tudo sob a forma de escolhas sem valorizar o roteiro bem escrito, a informação apurada e a entrevista concedida dentro dos limites éticos.

Se esse público fala, nós temos de ouvir, mas também esclarecer, educar e informar. Ainda somos as referências da sociedade e nosso bom trabalho, seja em qual meio for, é requisito básico em um ambiente democrático formado pela nossa expressão e dos outros que querem falar e não são ouvidos. Esta liberdade expandida de expressão ainda não é compreendida nem pelas autoridades nem por todos os nossos colegas, permitindo becos e caminhos escusos para a imprensa.

Assim, o diploma que vocês recebem hoje é uma vitória e um atestado nosso da qualidade da informação carregada pelos nomes de vocês. Interfaces entre as notícias e o público, cabe a vocês comunicar com base em fortes valores de qualidade humana, ética e profissional. Lembrem que esta certificação é feita diante de uma sociedade que confia e aposta em vocês. Mais do que nunca, a formação acadêmica representa que vocês têm caráter e sabem o que fazem, não é apenas uma via para o exercício da profissão.

E esse ofício requer uma dedicação constante. Desconfiem, apurem, lembrem que vocês iluminam o conhecimento de todos aqui. Como comentamos nas aulas, usem a força da rede para verificar antes de publicar e evitar uma barrigada. A velocidade das ferramentas não deve ser usada pensando apenas em publicar primeiro, mas sim em encontrar os dados corretos antes. Vocês dialogam com o digital de maneira natural, então também ajudem os colegas de redação na compreensão desse caminho.

Carecemos, como imprensa, cada vez mais de olhares críticos e fora dos padrões. Estamos cansados de ouvir que a Internet acabou com o jornalismo quando na verdade lentamente ficamos acomodados em nossas cadeiras esperando as informações ou confiando apenas nos telefones. Não é problema técnico, é atrofia dos olhares e pensamentos. Vocês até então desconfiavam das nossas informações e comentavam entre si baixinho ou no MSN, então está na hora de justificar este diploma e contrapor as informações quando aparecem de forma nebulosa diante de nós. Simples ações evitam o errado vire verdade às custas do nome de vocês.

Esse é o bem maior de vocês, a reputação. Preservem isso, não deixem que o sucesso tire os pés do chão. Não tenham pressa, construam suas reputações de maneira sóbria. Leva tempo, mas é recompensador e sólido. Vivemos em tempos complexos, como afirma Edgar Morin, e vocês são parte de um todo conhecido como sociedade, mas o todo está na parte. Não adianta abrir um telejornal com denúncias sobre corrupção se passamos dos limites para chegar lá.

Serão noites difíceis, sem dúvida, mas o bom trabalho e a resistência sustentada pelo correto nos momentos mais amargos levará vocês até aquele instante supremo da profissão, quando somos úteis para o todo. Não será fácil, nem todos irão compreender, mas este pequeno grande prazer vicia e nos leva a outros desafios e vitórias. E quando parecer difícil, fechem os olhos e voltem não só para esse momento de hoje, mas para toda a jornada até aqui… pensem e honrem todas as pessoas que procuraram os nomes de vocês nos menores espaços ou nos boletins mais curtos e sempre estiveram do lado.

Esse apoio vale muito, mesmo. Virão decepções, infelizmente, mas aprendam a reconhecer quem sempre esteve do lado. Essas pequenas fortalezas serão a base para ir além, para parar no final da noite e recarregar as baterias para mais. Deixem que o amor calibre a tolerância de vocês e até mesmo diferenças de pensamento sejam resolvidas sem brigas. Nessa hora tenham certeza de que profissionalmente e pessoalmente estarão colaborando muito para o bem comum.

Provavelmente isso vai custar um pouco da juventude de vocês, mas preservem essa qualidade. Não fiquem chateados quando isso for motivo para outras pessoas esquecerem a competência e duvidarem de um trabalho bem feito. Tenham calma e respondam da melhor maneira possível, mostrem que são bons jornalistas.

Essa formação para construir a informação não termina por aqui. A caminhada apenas começou e vocês não podem parar. O aprendizado deve ser constante e sempre dará mais força e conhecimento na hora das pautas, tenham certeza disso. Voltem até a Famecos, a casa de vocês, sempre estaremos esperando, seja para novas jornadas, para tirar uma dúvida para não publicar errado ou mesmo para matar a saudade tomando um capuccino. Nós também precisamos disso.

Não esqueçam, filhotes,

Vocês serão nossos olhos em pautas que sonhamos fazer
Vocês serão nossos ouvidos quando as fontes falarem
Vocês serão nossas bocas em perguntas que vão desmontar os entrevistados
Vocês são a nossa esperança de um jornalismo melhor.

Parabéns. Fiquem com Deus e tenham boas carreiras. Muito obrigado.
André Pase

Texto retirado na íntegra do blog do professor André Pase, Paraninfo da turma.

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H1N1 – A doença dos jornais

Posted by Thales Barreto on agosto 04, 2009
Brasil, Cultura, Jornalismo, Notícia, Opinião, Política, Rio Grande do Sul, Sociedade / 1 Comment

Terminou o estoque de alcool gel nas farmácias. Ao andar nas ruas encontramos facilmente pessosas mascaradas. O reinicio das aulas foram adiados e atividades com grande numero de pessoas em locais fechados estão ameaçados. Isso é o efeito da qualidade da informação?

Ouça a música Pandemia:

 

Uma menina morre em um voo retornando ao Brasil vinda dos Estados Unidos. A causa da morte é pneumonia. Ela teve sintomas da doença que aterroriza as pessoas atualmente, a gripe A (H1N1), porém exames preliminares não indicaram a doença e ela embarcou para o seu país de origem.

Não vou entrar nas questões abordadas por esse documentário, vou comentar o que a imprensa esta fazendo. Ao invés de informar que a gripe comum mata tanto quanto a da gripe suína a imprensa conta mortos e apavora ainda mais as pessoas. Isso vende jornal, e claro, vende medicamentos.

Site do Governo sobre a doença

Não é de hoje que os nossos jornais são vendidos a custas da desgraças alheias. A queda de um avião deixa uma redação em polvorosa, é a felicidade de muitos jornalistas. Quando uma doença mata em grande escala, mas jornalistas são escalados para mostrar suas várias faces.

Entenda um pouco a Gripe A

O que me deixa perplexo é que em nenhum momento os jornais ou revistas quiseram acalmar a população ou mostrar o que está por trás da “Pandemia” H1N1. Em nenhum momento alguém que tenha “sobrevivido” ao vírus “mortal” foi destaque. O pessimismo jornalistico mostra os mortos. Jamais esperem que as milhares de pessoas que sobrviveram a gripe A sejam entrevistadas.

Para o jornalismo o copo está sempre meio vazio.

Thales Barreto

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