Matéria do Diário de Santa Maria trás a informação que o prefeito, o vice, os secretários e os vereadores de Rosário do Sul terão seus salários reajustados. O chefe do executivo deve ganhar quase R$ 20 mil reais mensais para comandar uma cidade de menos de 40 mil habitantes. A reportagem aponta ainda que o salário do futuro prefeito será muito próximo ao do mandatário da cidade de São Paulo, a maior do país.
Não existe explicação lógica para que uma cidade com problemas sérios de desenvolvimento pague ao prefeito um salário com esses valores. É uma afronta a inteligência da comunidade rosariense a câmara de vereadores aprovar esse reajuste. É um desrespeito aos servidores que realmente fazem o município funcionar.
Prefeitura de Rosário do Sul mostra o poderio da economia local.
Em cidade pequena, a imprensa não cobra, pois precisa dos “amigos” para se manter viva, o que colabora para que escândalos como esse sejam abafados. Ninguém levanta publicamente a bandeira contrária com medo de criar inimizades. A questão é séria e não é pessoal. Não se faz pelo bem da cidade, mas sim pelo bem próprio. Faltam grandes políticos no país inteiro, mas os de Rosário estão cada dia se superando mais no atraso.
Rosário não é uma cidade de magnatas que está esbanjando recursos. É um escândalo que precisa de resposta da comunidade. Ou os políticos aprendem a controlar os gastos e investir na população, ou terão suas respostas em outubro.
Ah! Vale lembrar que o prefeito não atendeu as ligações do jornal de Santa Maria, atitude também tomada pela presidente da câmara de vereadores. O vice, pré-candidato ao governo, falou. Jogo político comendo solto. Será que enganam quem?
Atualizando | O assunto foi noticiado também pelo telejornal RBS Notícias, dessa vez o prefeiro e a presidente da câmara se manifestaram. Veja:
Uma das questões que devem ser debatidas nas próximas eleições municipais em Rosário do Sul é o trânsito. A cidade sofreu um crescimento no número de carros nos últimos anos, algo normal com a facilidade de crédito conquistada pelos brasileiros. Porém é necessário sobriedade para analisar esse problema.
Dois pontos principais devem ser levados em consideração: Sinalização e Mentalidade. É preciso que o município tenha um grupo de especialistas para qualificar a sinalização. Em uma cidade pequena que possui cerca de cinco semáforos eles são completamente desnecessários. A substituição dessas sinaleiras por rótulas permitiria o trânsito fluir melhor, evitando que motoristas ficassem parados apenas esperando o sinal abrir.
Não devemos esquecer que é necessário a melhoria das placas de trânsito. Em alguns lugares chegam a ter placas repedidas, em outros pontos faltam.
O outro ponto a ser levado em consideração é a mentalidade do condutor. Por Rosário ser uma cidade pequena os motoristas fazem questão de parar na frente do estabelecimento onde desejam chegar. A reclamação pela falta de vagas para estacionar não cabe em uma cidade que se andará três, quatro quadras de sua casa até o seu destino. Antes de se pensar em estacionamentos é necessário mudar a maneira como as pessoas utilizam seus automóveis e como elas se relacionam com a cidade que habitam.
Não existe a necessidade da criação de vagas quando uma simples mudança de comportamento pode colaborar para a solução do impasse.
Um colunista da revista Veja comparou as ações policiais de combate ao tráfico de drogas no Rio de Janeiro e em São Paulo [Link]. Embora os objetivos estejam muito próximos, são casos diferentes.
O que a polícia fez no Rio de Janeiro foi uma recuperação de territórios. Nessas ações, atacou exclusivamente traficantes, já que não existia ali a figura do usuário, que consumia o produto longe dos pontos de venda de drogas.
Em São Paulo, a situação é mais grave, pois os usuários estão misturados com os pequenos traficantes. Embora o poder bélico seja extremamente menor, a ação da PM paulista ataca o doente, o que é um erro terrível.
A questão de apoiar ou não a ação em São Paulo passa pela compreensão do que está ocorrendo de fato na Cracolândia. Não é questão política, é questão de inteligência. Não se pode tratar o doente com repressão. Ele precisa de tratamento médico, não de balas de borracha.
A secretária de justiça de São Paulo declarou, em entrevista ao programa Entre Aspas da Globonews [Link], que a repressão que ocorria na cracolândia, área central de São Paulo, era contra os traficantes que abasteciam os viciados. A intenção das operações, além de limpar a região, era coibir o tráfico, fazendo com que os usuários procurassem ajuda voluntariamente.
A ação foi falha. Com uma semana de operações a polícia paulista está brincando de gato e rato com os viciados que, volta e meia, se reorganizam em uma rua diferente. A polícia vai atrás e tenta dissolver o grupo e o real problema não é solucionado.
Contrariando as declarações da Secretária de Justiça de São Paulo a polícia agiu com violência contra usuários, pessoas que precisam de tratamento, de auxilio, mas o estado só consegue “dialogar” na base da porrada, da violência, da repressão. Mais uma vez a oportunidade de resolver o problema da cracolândia vai sendo desperdiçada.
A TV Folha, canal do You Tube do jornal Folha de São Paulo, tem em destaque hoje uma reportagem sobre a desocupação da cracolândia, na região central de São Paulo. A polícia militar paulista está removendo usuários e prendendo traficantes que atuam na localidade.
Veja a matéria:
Como é levantado no final do vídeo a ação do estado deveria se preocupar inicialmente no tratamento dessas pessoas que estão nessa situação de rua e que são usuárias de entorpecentes. Não é só limpar uma região da cidade, mas é incluir socialmente as pessoas que ali estão.
Entre aspas da GloboNews comenta o problema:
O caso da cracolândia é um problema de saúde pública. É preciso olhar aquelas pessoas não como marginais, mas como pessoas doentes, como de fato são. Enviando policiais e com o discurso de “limpeza” ninguém ganha. Os doentes vão migrar para outras regiões da cidade e a brincadeira de gato e rato vai seguir. É uma pena.