A polícia militar baiana está em greve desde a noite da última terça-feira quando uma assembleia aprovou a paralisação. Os policiais pedem o cumprimento do pagamento da Gratificação por Atividade de Polícia (GAP) IV e V, além de regulamentação do pagamento de auxílio acidente, periculosidade e insalubridade.
O sargento Fabio Britto, diretor jurídico da Associação de Policiais e Bombeiros e de seus Familiares do Estado da Bahia (Aspra), declarou ao G1 que os policiais exigem o cumprimento das leis 12.505 e da 12.191, sancionadas por Dilma e Lula. Essas leis tratam da anistia dos policiais punidos que lutaram por melhorias salariais entre 1997 e 2001. De acordo com Britto essas leis não estão sendo respeitadas pelo governo baiano.
Com a greve da polícia os números referentes a criminalidade subiram de maneira assustadora. Em Salvador foram registrados 29 homicídios em 30 horas, sendo 28 deles cometidos na sexta-feira. Entre terça-feira início da greve e este sábado já foram registrada 59 mortes. O governo federal enviou tropas para tentar conter a onda de violência e proteger a população. Alguns espetáculos culturais foram cancelados, o show do cantor Criolo foi confirmado para a Concha Acústica.
Coincidência ou não os policiais militares entraram em greve logo após uma cozinheira ficar cega depois de ser agredida por um PM durante um show do Olodum. O caso foi comentado aqui no blog e os agressores já foram identificados.
A reivindicação por melhores salários é justa. O momento é oportuno, já que o carnaval de Salvador é mundialmente conhecido e, pelo que se sabe, seguro. O problema é que a sociedade está a mercê de bandidos que já fizeram duas dezenas de vítimas em menos de 24 horas. Os relatos de violência assustam.
O estado tenta reestabelecer a ordem com o uso equivocado do exército, enquanto os policiais correm o risco de perder apoio popular na briga por uma causa justa, pois deixaram aqueles que pagam seus salários sem proteção. O caso é delicado, mas precisa ser solucionado rápido e com bom senso. Até esse momento grevistas e bandidos estão jogando no mesmo time.
Distorcer os fatos é uma prática corriqueira na redação de uma revista que publica um extrato supondo que ele seja verdadeiro e que ele seja de determinada pessoa. O problema é que nem todos são retardados no país do Michel Teló.
Reinaldo Azevedo confunde, em seu blog, uma operação previamente planejada com uma ação diária de controle de multidão. As agressões sofridas por um estudante no Piauí e por uma cozinheira, na Bahia, só mostram o despreparo da nossa polícia ao tentar controlar um grupo de manifestantes ou na hora de fazer a segurança de um evento.
Diferente disso são as políticas de segurança pública. Em São Paulo está ocorrendo a higienização da região central da capital. Estão simplesmente removendo usuários de drogas da região da Luz sem ter um lugar definido para o tratamento dos mesmos. Vale lembrar que dependência química é doença e deve ser tratada como tal, não exclusivamente com polícia.
O caso do Pinheirinho reforça a truculência da PM paulista. Vale lembrar que um em cada cinco assassinatos é cometido por um policial paulista. [Recomenda-se a leitura do livro Rota 66 - A história da polícia que mata do jornalista Caco Barcellos]. Ah! Sobre o Pinheirinho só me resta uma dúvida, por que a PM não deixou a imprensa entrar, se estava agindo dentro das leis?
Independente de quem governa o estado é necessário uma investigação para punir os responsáveis pelos abusos. E volto a argumentar que nossa polícia precisa ser mais bem preparada de maneira geral, incluindo psicologicamente. Não é partidarizando o problema que vamos conseguir melhorar nossa segurança pública.
Manifestante ocuparam hoje a rua Amaro Souto em frente a prefeitura municipal de Rosário do Sul. Os populares cobravam, entre outras coisas, a anulação do reajuste que elevava para quase R$ 20 mil o salário do próximo prefeito.
Segundo relato de participantes da manifestação o prefeito Ney Padilha reconheceu o equivoco e pediu desculpas para a comunidade. Vale lembrar que ele não pode concorrer a reeleição, logo não seria beneficiado pelo reajuste.
A anulação do aumento concedido para o futuro prefeito, vice, secretários e vereadores foi votado ontem em sessão extraordinária devido a pressão popular que culminou na manifestação de hoje cedo.
Veja o pronunciamento do prefeito durante a manifestação:
No dia 26 de dezembro do ano passado os vereadores de Rosário do Sul aprovaram, por unanimidade, um reajuste nos vencimentos para a próxima legislatura de acordo com o salário mínimo nacional. Com os índices aprovados o prefeito receberia, em 2013, quase R$ 20 mil por mês, ganho próximo ao do mandatário de São Paulo.
Na última semana um morador da cidade levantou a polêmica no Facebook e mobilizou outros rosarienses para pressionar os vereadores contra o aumento. A imprensa estadual foi até o município para ouvir o que a presidente da câmara e o atual prefeito tinham para declarar sobre o caso. Ambos tentaram justificar a atitude do legislativo mas se colocaram a disposição para rever o reajuste.
Ainda na semana passada os moradores começaram a se organizar na rede social para realizar uma manifestação em frente a prefeitura municipal. A mobilização foi batizada de #Occupyamarosouto em referência as manifestações iniciadas em setembro de 2011 contra a influência empresarial na sociedade e no governo dos Estados Unidos chamadas #Occupywallstreet, essa por sua vez foi baseada na chamada Primavera Árabe.
No começo dessa semana com o retorno negativo da atitude os vereadores recuaram e cancelaram o reajuste, tentando encerrar o caso, porém a manifestação continua marcada para a próxima quinta-feira, ao meio dia em frente a Prefeitura Municipal.
Vale lembrar que os vereadores tentaram intimidar a imprensa local e um deles chamou os manifestantes de “fofoqueiros de esquina”. Essa é a primeira vez na história do município que a população toma as ruas em protesto contra seus representantes. É necessário observar a participação da internet nesses protestos.
Muitas pessoas ainda subestimam a Internet, outras ainda subestimam o povo. É bonito ver quando uma manifestação extrapola o meio virtual e força governantes a mudarem suas posições. É mais bonito quando essa manifestação muda o rumo de uma cidade de pouco menos de 40 mil habitantes na fronteira oeste do Rio Grande do Sul.
Na quarta-feira da semana passada, grandes sites se manifestaram contra a aprovação de leis norte-americanas que colocariam em risco a Internet como conhecemos. Usuários dos Estados Unidos pressionaram seus congressistas para que o Projeto de Lei batizado de SOPA não fosse aprovado. Devido o tamanho da repercussão, o projeto acabou sendo retirado para ser reformado.
Ainda na semana passada, moradores de uma cidade do interior do Rio Grande do Sul demonstraram sua indignação com um aumento concedido pelos vereadores para a futura administração pública. Utilizando-se do Facebook criaram uma rede de protestos que iria transbordar do virtual para a frente da prefeitura na próxima quinta-feira. A movimentação chamou a atenção da mídia que mostrou para o estado o que estava acontecendo.
Com a pressão dos tradicionais veículos de comunicação e a crescente revolta dos moradores por meio das redes sociais, a Câmara de Vereadores e o prefeito recuaram, e o reajuste não será concedido, ao menos nesse momento.
Em uma cidade pequena, em que a mídia é viciada – não exercendo sua principal função de questionar os órgãos públicos – a Internet toma uma força sem precedentes. A rede propicia uma revolução silenciosa, mas de grande impacto. Muitas pessoas desconheciam o poder de mobilização da rede.