Na tarde desta segunda-feira uma informação equivocada foi disseminada no Facebook e acabou reverberando no Twitter. O grande detalhe é que nenhum site de notícias havia dado a informação. Então ela foi criada na rede e repercutida ali, mas por que (quase) ninguém checou? Qual o nível de credibilidade que as pessoas estão depositando em redes como o Facebook?
A informação falsa de que o comediante mexicano Roberto Gomes Bolaños havia morrido foi disseminada no Facebook, sem que ninguém checasse se era verdadeira ou não. A “notícia” foi compartilhada e lamentada pelos usuários que não questionaram, simplesmente passaram a diante como se o fato fosse verdadeiro.
Trocar informações falsas na rede é um costume desde quando o compartilhamento ocorria por e-mail. Dois fatos me chama a atenção: 1º) A credibilidade conquistada pelo Facebook, quando usuários compartilham qualquer coisa sem questionar a sua veracidade. 2º) As pessoas estão abrindo mão de órgão de imprensa no meio online. Quem poderia confirmar a morte ou não do artista seria os meios de comunicação que iriam atrás da assessoria de imprensa do mesmo, como fez o R7.
O poder do Facebook é gigantesco, porém é necessário cautela e o filtro se torna cada vez mais necessário.
Muitas pessoas ainda subestimam a Internet, outras ainda subestimam o povo. É bonito ver quando uma manifestação extrapola o meio virtual e força governantes a mudarem suas posições. É mais bonito quando essa manifestação muda o rumo de uma cidade de pouco menos de 40 mil habitantes na fronteira oeste do Rio Grande do Sul.
Na quarta-feira da semana passada, grandes sites se manifestaram contra a aprovação de leis norte-americanas que colocariam em risco a Internet como conhecemos. Usuários dos Estados Unidos pressionaram seus congressistas para que o Projeto de Lei batizado de SOPA não fosse aprovado. Devido o tamanho da repercussão, o projeto acabou sendo retirado para ser reformado.
Ainda na semana passada, moradores de uma cidade do interior do Rio Grande do Sul demonstraram sua indignação com um aumento concedido pelos vereadores para a futura administração pública. Utilizando-se do Facebook criaram uma rede de protestos que iria transbordar do virtual para a frente da prefeitura na próxima quinta-feira. A movimentação chamou a atenção da mídia que mostrou para o estado o que estava acontecendo.
Com a pressão dos tradicionais veículos de comunicação e a crescente revolta dos moradores por meio das redes sociais, a Câmara de Vereadores e o prefeito recuaram, e o reajuste não será concedido, ao menos nesse momento.
Em uma cidade pequena, em que a mídia é viciada – não exercendo sua principal função de questionar os órgãos públicos – a Internet toma uma força sem precedentes. A rede propicia uma revolução silenciosa, mas de grande impacto. Muitas pessoas desconheciam o poder de mobilização da rede.
Carlos Nascimento, âncora experiente com décadas de TV Globo e com passagem pela Bandeirantes, comentou na noite de quinta-feira que os brasileiros já foram mais inteligentes. A provocação foi motivada pelo sucesso do meme “menos Luiza, que está no Canadá” e do suposto abuso sexual no programa Big Brother Brasil, da rede Globo.
Veja o vídeo:
Nascimento não critica o meme, mas sim sua repercussão. Luiza, que estava no Canadá, parou o país, amenizou o debate sobre o suposto assédio e foi usada com muita inteligência pela Rede Globo para tirar o foco do seu show de realidade.
Ao criticar o volume de informações sobre o ocorrido no Big Brother, Carlos Nascimento lembrou que estamos diante de um programa de televisão e que precisamos realmente questionar se aquilo foi real ou apenas uma simulação.
O objetivo principal do jornalista do SBT foi atingido, já que após a sua provocação passamos a debater a relevância de ambos os casos, embora muita gente tenha apenas atacado o próprio Nascimento.
Não sei se já fomos mais inteligentes, mas acredito que estamos num nível profundo de letargia. Não provocamos, não nos manifestamos, aceitamos qualquer coisa como música e não damos espaço para o que possui qualidade. A posição assumida por Nascimento na bancada do Jornal do SBT Noite é elogiável. Prefiro um jornalista dando opiniões do que um que apenas faz piadas. Vocês gostam de mamão?
O FBI, a polícia federal norte americana, fechou hoje de tarde o site de compartilhamento de arquivos MegaUpload. Além de retirar o site do ar alguns de seus funcionários foram detidos, inclusive seu fundador. A página é acusada de lesar proprietários de direitos autorias em mais de US$ 500 milhões ao abrigar filmes e músicas ilegalmente.
A operação ocorre um dia depois da bem sucedida campanha contra dois projetos de lei que correm nos Estados Unidos que podem tornar vários sites ilegais.
O MegaUpload está entre os sites mais acessados do mundo e remove material com direito autoral, tanto quando o Google faz com vídeos no You Tube. A ação pode ser uma demonstração de força da indústria do entretenimento após perceberam o poder da mobilização ocorrida na quarta-feira.
Retaliação
Poucos minutos depois da informação da queda do megaupload o grupo de hackers Anonymous derrubou sites do governo americano e da gravadora universal music, que move uma ação contra o site de compartilhamento de arquivos.
A banda gaúcha Bidê ou Balde foi uma das afetadas pelo desligamento do site americano. A discografia oficial da banda que estava disponível para ser baixado foi removido junto com o site. Em nota no Facebook o grupo anunciou que os links estariam disponíveis em outro site de compartilhamento e acabaram protestando contra a decisão do governo dos Estados Unidos.
Ao invés de tentar se apropriar dos benefícios da rede a indústria tenta lutar contra ela. É necessário compreender os avanços da tecnologia e correr atrás das novidades. Uma alternativa bastante viável são as locadoras online como a Netflix [Filmes] ou as rádios online como a LastFM [Música].
Desde a última segunda-feira o SBT está exibindo o programa infantil Férias com Patati Patatá a partir das 18h 15, horário onde até a última semana era apresentado o programa Chaves. Na sequência a emissora exibe o telejornal SBT Brasil.
O único problema nessa composição da grade da emissora é a grande diferença na faixa etária entre o público alvo de cada programa. Enquanto Patati e Patatá fazem sucesso entre crianças com menos de 10 anos, o público alvo do jornalístico é adulto.
O auge desse conflito foi atingido na quarta-feira, quando durante um intervalo do infantil a âncora do jornal anunciou uma matéria sobre um casal de jovens que foram filmados fazendo sexo oral em uma escola paraense. [Link]
Pessoas ficaram revoltadas com a exibição da chamada durante o programa dos palhaços. Tudo isso poderia ser evitado com uma grade mais organizada, mesmo em um momento de transição. Não podemos transformar isso no fim do mundo, mas a emissora deve tomar mais cuidado da próxima vez.