Cerca de três meses atrás o meu ex-chefe encaminhou ao meu e-mail um vídeo de uma concorrente. No corpo da mensagem ele comentava que a “nossa” empresa havia sido a primeira a produzir este tipo de conteúdo e que as demais estavam copiando. Ele pediu uma avaliação sobre a entrevista, já que tinha gostado de alguns detalhes.
Ao retornar a correspondência levantei vários fatores que tornavam aquele vídeo melhor do que o que estávamos produzindo. Não vou fazer aqui a análise que elaborei naquele momento, não é esse o meu foco. O que quero é comentar o fato do ineditismo na rede.
Na internet o fato de ser o primeiro a produzir ou criar alguma coisa é pouco relevante. O que importa é se manter atualizado, é se manter inovando. Produzir conteúdo audiovisual para a web é “simples”, porém o que vai fazê-lo ser assistido é o que ele agrega para o internauta.
Um exemplo de canal de vídeos é a TV Folha HD. Utilizando-se do You Tube a Folha dá um show com matérias, debates e entrevistas rápidas e de uma qualidade impressionante. Tudo é extremamente bem feito. Não vejo, hoje, um jornal que produza conteúdo audiovisual de qualidade para concorrer com a Folha de São Paulo.
Um vídeo da Tv Folha:
Não é necessário ser inédito, precisa ser inovador. Não é necessário ser o “primeiro” a utilizar uma ferramenta de determinada maneira é preciso manter-se sempre atual, agregando coisas novas.
PS: Ah! Não queria que a minha antiga empresa fizesse vídeos com a qualidade da Folha, podia ser com a qualidade da concorrente que já estaria de bom tamanho.
Na manha da última quinta-feira, 30, estive na Famecos para participar da gravação de um programa da cadeira de Laboratório em Jornalismo após receber convite do colega Marcos Westermann. A cadeira é do primeiro semestre e é ministrada pelos professores Fábian Chelkanoff e Eduardo Pellanda.
No primeiro bloco eu colaborei com o pessoal dando uma entrevista onde falei um pouco sobre as minhas atividades tanto aqui no blog como na função de editor online do Jornal Contra-ataque e da etConteúdo, assim como no desenvolvimento de sites. O segundo bloco foi um debate entre o pessoal sobre algumas coisas que eles tinham pesquisado e outras que eu tinha levantado durante a minha participação.
Posto abaixo as duas partes, espero que gostem e acredito que vale a reflexão. O trabalho do pessoal ficou bem bacana. Vejam:
A TV Globo prepara mudanças em seu telejornal matutino, o Bom Dia Brasil, para o fim do mês de setembro. Com isso pretende barrar a perda de audiência no horário para o concorrente da TV Record, o Fala Brasil. O programa da emissora paulista tem mais identificação com a classe C diferente do Bom Dia que tem um tom mais clássico.
A Globo vem mostrando sua preocupação com a Record em atitudes bem pontuais. Existe uma negação do jornalismo na área esportiva o que começou com o humorista Tiago Leifert no comando do Globo Esporte São Paulo. O programa que sofria derrotas constantes para o mexicano Chaves, foi reformulado e conseguiu bater a mofada atração do SBT.
Com o acerto (?) outros programas foram modificados, o ápice dessa migração é a regionalização do Globo Esporte. Menos jornalismo e mais entretenimento, uma tentativa de conter o crescimento do Balanço Geral, jornalístico popularesco da TV Record.
Outro ponto em que a TV Globo demonstra preocupação com a concorrência é a parte noturna. Após sofrer com o crescimento das novelas da emissora de Edir Macedo, a rede Globo modificou a sua grade de horários. Atualmente programas como Malhação, as novelas das 18 e das 19 horas e o Jornal Nacional estão entrando cerca de meia hora mais tarde do que ocorria até pouco tempo.
As mudanças no jornalismo já são sentidas com a informalidade perigosa que vem caminhando o Jornal Nacional. O Fantástico tem sofrido com o bom Domingo Espetacular, mesmo transformando jornalistas em notícias o programa comandado por Patrícia Poeta segue perdendo audiência. A entrada de Chico Pinheiro e Rodrigo Pimentel no Bom Dia Brasil deve aproximar o programa da Classe C, mas será que a qualidade será perdida? Até pouco tempo esse era o único jornal respeitável da emissora carioca.
Outras emissoras
No SBT a “popularização” de seu jornalismo veio com a mudança no SBT Brasil que agora tem entre suas cores o vermelho, inclusive em sua bancada. Na Record o marco que reforça essa ideia é a reapresentação do Cidade Alerta. Na Band além do Brasil Urgente a emissora exibe o programa Polícia 24h em que equipes da polícia militar de São Paulo são acompanhadas durante operações. Na mesma linha existe o Operação de Risco, atualmente sem emissora depois de romper com a RedeTV!.
Datena trocou, na semana passada, a rede Bandeirantes pela TV Record. A negociação foi avaliada em torno de quarenta milhões de reais. Para atingir esse valor é somada a multa paga pela emissora de Edir Macedo para a Band (cerca de R$ 20 milhões) e a suspensão de um processo movido pela rede de televisão ligada a Igreja Universal com Datena (algo na casa dos R$ 18 milhões).
Desde a última segunda-feira Datena comanda o “novo” Cidade Alerta na mesma faixa de horário de seu antigo programa, o Brasil Urgente, agora comandado por Luciano Faccioli. O programa entraria no ar dentro de um mês após um “descanso” da imagem do apresentador. Porém o bom resultado da estréia de Faccioli fez a emissora se movimentar antes e colocar o programa mais cedo no ar.
Os programas são extremamente similares. Com mais de dez anos de experiência nesse formato Datena está mais a vontade, principalmente por contar com seu principal repórter o Comandante Hamilton, que se transferiu para a emissora da Barra Funda cerca de duas semanas antes do apresentador.
Luciano Faccioli tenta segurar a audiência que deve migrar para a concorrência. Ele chegou até a atingir um ponto a mais no Ibope na sua estréia, mas no primeiro confronto com o programa da Record o resultado foi desastroso, 10 a 2 para o Cidade Alerta.
José Luiz Datena sofria desgastes dentro da Band, mesmo sendo a principal audiência da casa. A ida de Faccioli para a emissora do Morumbi em Outubro do ano passado teria desagradado o antigo titular do Brasil Urgente. Faccioli era o substituto natural de Datena no comando do programa policial.
Um tempo atrás os jornalistas ficavam isolados em suas redações pensando o que o leitor estava disposto a ler no dia seguinte. Ali eram decididas as pautas e colocadas em prática. Manifestações podiam ser abafadas com pequenas notas ou simplesmente ignoradas. Hoje as coisas funcionam de maneira um pouco diferente. Nós, jornalistas, corremos, muitas vezes, atrás daquilo que o público emite. Coletamos, atualizamos e devolvemos com algo a mais.
Dois fatos me chamaram a atenção no dia de ontem. O primeiro foi o portal de notícias da Record, o R7, ter dado uma barrigada anunciando o video publicitário da Vivo como trailer de filme. Embora muito bem sacado pela Agência África, a publicidade fica explícita em seu final.
Será que não viram o vídeo inteiro antes de postar? Será que não perceberam o sutil fato do video ter sido publicado por um usuário chamado “Vivo”? Como isso passou batido pela redação? Pior, como isso foi parar na capa do portal como trailer de um filme que não se tinha comentários?
O segundo fato ocorreu em Porto Alegre. Manifestantes bloquearam a saída do DCE (Diretório Central dos Estudantes) da PUCRS (Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul) por volta das 19h. Duas estudantes foram agredidas, segundo relatos dos manifestantes. Às 19h 12 o site do jornal Correio do Povo, já trazia informações sobre o fato com diversas fotos. Eram dois paragrafos informando que estava acontecendo a ação no campus da Pontifícia.
A Zerohora.com demorou quatro horas para postar uma notícia de cerca de 9 parágrafos, sem fotos em sua primeira versão. Vale ressaltar que leva-se no máximo 30 minutos para chegar do prédio da Zero Hora até a universidade e que o jornal conta com funcionários atuando como professores na faculdade de comunicação, no prédio ao lado do DCE. A demora em postar uma simples nota sobre o ocorrido é vergonhosa.
Recebi duas justificativas para a demora. Uma apontava que, ao levar o furo do jornal concorrente, foi enviada uma equipe ao local para colher informações. É plausível, o que não se tem justificativa é o perfil do jornal no twitter não ter avisado o que estava ocorrendo e que estavam averiguando. A outra desculpa é completamente descabida e fala que a atenção da redação estava voltada para outros acontecimentos (STF, Vulcão, Morte por Gripe A…).
Dos erros ficam as lições. O repórter do portal R7 deveria ter sido um pouco mais malandro e prestado um pouco mais de atenção antes de baixar a cabeça e escrever o texto que iria para a home. Até um blogueiro toma esse cuidado. No final a Vivo ganhou publicidade de graça na capa, ponto pra Agência África.
A segunda lição é que embora não se tenha interesse em noticiar algo não se tem mais como segurar. Uma nota simples e corre para colher mais informações. Podiam ter dado um retweet na notícia do Correio e depois ir atrás de uma exclusiva. Os veículos não são donos da notícia e o público tá mais ligado que antigamente.