Todos devem relembrar nos próximos dias os ataques de 11 de setembro em Nova Iorque. Portais, canais noticiosos, jornais e revistas devem exibir material recontando passo a passo o que aconteceu naquela terça-feira, além de fazer uma análise do que mudou no mundo após esses atentados.
Em maio de 2001 eu completei 15 anos. A guerra pela audiência estava no auge. Eu era um apaixonado por televisão e pelas batalhas entre SBT e Globo. Lembro que no carnaval deste ano a emissora carioca foi obrigada a engolir Silvio Santos como destaque de uma escola de samba.
O ano seguia confuso, tinha mudado de colégio e a adaptação não era das melhores. Tímido, passava o intervalo das aulas na casa dos meus avós, que moravam próximos a escola. Foi numa dessas visitas no meio da manhã que recebi a informação do sequestro de Silvio Santos.
Em 21 de agosto de 2001, uma terça-feira, uma das filhas de Silvio Santos, a hoje apresentadora Patrícia Abravanel, fora sequestrada. Ela seria mantida em cativeiro por uma semana, sendo libertada no dia 28. No dia seguinte o sequestrador começa a ser caçado por São Paulo, matando dois policiais e ferindo um terceiro. No dia 30, uma quinta-feira, Fernando Dutra Pinto invade a casa do apresentador. [Cronologia do Sequestro]
Olhava as imagens da Record e não acreditava. Retornei para a escola e comentei com alguns colegas. Com o fim da aula fui para a casa e fiquei acompanhando todo o desfecho. A cobertura do caso me fascinava. Tinhamos um grande acontecimento que colocou toda a imprensa brasileira em estado de alerta.
Lembro que na segunda-feira, dia 10 de setembro, fui até o quarto dos meus pais e fiz um comentário ingênuo. Disse que nada acontecia de novo. Nada “histórico” estava acontecendo. Estava passando o programa da Hebe…
No momento dos atentado eu estava em aula. Não lembro se fui na casa dos meus avós naquele dia. Provavelmente tenha ido, mas não vi nenhuma informação sobre o que estava acontecendo. Na aula ninguém comentou. Quando voltei para minha casa meu pai questionou se eu sabia o que estava se passando. Lembro de ver o seguindo avião colidindo com as torres no mesmo lugar que “cobrei” um “fato histórico”.
Passei a tarde tentando buscar alguma novidade na internet [Discada] e assistindo aos programas de televisão que explicavam o inexplicável. Gravei em VHS a edição do Jornal da Globo apresentado pela Ana Paula Padrão e não esqueço do erro da Zileide Silva ao tentar pronunciar Osama Bin Ladem. Dos atentados acabei fazendo um trabalho para o colégio. Lembro da invasão americana ao Afeganistão, o medo do antrax…
O ano terminaria com outra “bomba”. Em outubro o SBT exibiria Casa dos Artistas, um marco para a televisão brasileira e encerraria o ano em alta. Sempre lembro da nota emitida pelo SBT quando a Globo questionou a possibilidade do show de realidade da emissora paulista ser uma cópia do holandês Big Brother.
Thales Barreto