Ficção

Kitnet…

Posted by Thales Barreto on agosto 23, 2011
Ficção / No Comments

As paredes são verde. A janela, o marco das portas e as portas são cor de gelo. Estou contra a parede. Na minha esquerda vejo a entrada e mais ao fundo o que deve ser uma cozinha. No lado direito um banheiro e mais próximo de mim uma janela. Ela é grande e dá para um pátio. Este pátio é escuro, independente da chuva, e cercado pelos apartamentos vizinhos. Ele é fechado e colossal. O sentimento é de imensa solidão.

Não me recordo sua localização. Só me lembro da cor verde suja das paredes e da sensação de solidão. Nunca vi a solidão com tantos detalhes. Nunca me senti tão sozinho quanto confrontado com aquelas paredes nuas, com aquele imóvel nu. Naquele lugar a felicidade esqueceu de passar.

Devo ter permanecido cerca de vinte minutos no máximo meia hora dentro daquele lugar. Não houve nada de especial ali dentro. Mas as paredes sempre me apertam. Sempre me isolam. Sempre me da medo quando aquelas paredes verdes vem em minha mente. Sempre me sinto sozinho quando recordo daquele apartamento no centro. As vezes tenho vontade de retornar lá e escrever um livro.

Thales Barreto

O que você escuta? E o que você sente?

Posted by Thales Barreto on julho 29, 2011
Ficção / No Comments

No frio de baixo da marquise eles se espremem pra passar mais uma noite. Noite que nós desprezaremos brigando. Noites que perdemos. Deixamos de nos amar para brigarmos. Pensamentos infantis. Amor maduro de mais para nossas mentes. A noite está mais fria que as anteriores. E sem você o frio parece ser mais forte. Lembro das noites do inverno passado aquecidas pelo calor de seu corpo. Aquecido pelo calor de nossos corações. Dias que não fogem de minha mente como as palavras bonitas que você me disse, como as palavras bonitas que disse pra você.

Em baixo da marquise apenas meninos. O futuro incerto de cada um deles. O dia incerto até o dia final. O amor se perde na realidade das ruas. Que amor pode ter se esquecemos de amar o próximo? Como podemos sair na rua e pedir paz quando existem seres humanos esquecidos por nós mesmos?

Abandonamos os ensinamentos divinos para criar nossas próprias leis. Estamos perdidos nesse mundo. E ninguém pode nos ajudar. Aos amores apenas a próxima hora. Aos amados apenas os próximos dias. Aos inimigos do amor, da fé e da honestidade apenas o caixão. Hoje a noite fede, a música que exala de algumas mentes poluem mais que qualquer ácido. O funk é o ácido que corrói a sociedade. Adeus João Hélio.

Thales Barreto
Março/2007

Publicado originalmente aqui.

Quem sabe Morto

Posted by Thales Barreto on maio 09, 2011
Ficção / No Comments

Organizando os documentos do meu computador achei um texto de setembro de 2010. Procurei se já tinha postado aqui e não localizei, decidi então publicá-lo.

Quem sabe morto o ar entre mais fácil em meus pulmões e o nó na garganta se desfaça.
A pressão sobre meu corpo diminua e o mundo ganhe cor.
Quem sabe morto meu amor me beije suavemente e seu cabelo grude na minha barba como sempre.
Quem sabe morto meus dedos consigam deslizar a tua pele sem a preocupação das horas,do local e dos vizinhos.
Quem sabe morto eu consiga respirar.
Te olhar nos olhos e sorrir.Quem sabe morto tudo pese menos.
O andar fique mais leve e a vida mais bonita.Quem sabe morto…

Thales Barreto

A queda do anjo

Posted by Thales Barreto on abril 18, 2011
Ficção / No Comments

E em um triste dia o Anjo Mais Velho perdeu as asas.
Sua queda foi em um terreno de pedras e espinhos.
O seu doce coração “sangrou”.
As suas dores eram insuportáveis.
Tão amado Anjo Mais velho, se perdeu.
Se dissipou nas pedras e espinhos.
Nada foi sujo de sangue, apenas de lágrimas.

Poetas pela Paz

Posted by Thales Barreto on novembro 13, 2010
Cultura, Ficção, Notícia / 2 Comments

Peguei agora a pouco um exemplar do livro Poetas pela Paz e Justiça Social Volume 2. O lançamento acontece no próximo dia 15 às 20h no Memorial durante a 56ª Feira do Livro de Porto Alegre. A obra conta com a participação de 51 poetas. Eu, que não sou poeta, participo com duas páginas.

O livro foi organizado por Rossyr Berny e editado pela Editora Alcance. Todos estão convidados para passarem por lá.

Thales Barreto